Tumor odontogênico adenomatoide.

By: | Tags: | Comments: 0 | julho 18th, 2018

Tumor odontogênico adenomatoide.
Adenomatoid odontogenic tumor.

Resumo
O objetivo deste artigo é relatar um caso de tumor odontogênico adenomatoide presente em maxila
direita. Foi essencial a realização de biópsia previamente à exclusão cirúrgica, a fim de obter um diagnóstico
diferencial com outras patologias semelhantes clínica e radiograficamente. O tratamento baseou-se
na enucleação total da lesão sob anestesia geral, tendo a cavidade sido preenchida com gaze medicamentosa.
O pós-operatório transcorreu sem intercorrência e a proservação da paciente é mantida.
Descritores: Cirurgia bucal, patologia bucal, neoplasias maxilares.

 

Introdução
Tumor odontogênico adenomatoide (TOA) são tumores benignos de origem odontogênica, compostos
de lesões heterogêneas derivadas de tecido epitelial, mesenquimal ou ambos. Devido a isso, algumas lesões apresentam graus variados de efeitos indutivos do epitélio mesenquimal, algumas vezes levando a formação de material dentinoide e, mais raramente, matriz de esmalte. Em humanos, tumores de tecidos odontogênicos são relativamente raros, representando 1% de todos os espécimes de diagnóstico biopsiados3,7,8. A distribuição topográfica mostra que a maxila é mais afetada do que a mandíbula, sendo o sítio posterior mais comum da mandíbula e da maxila, a região anterior2,3,4,5,8,10.

Existem 3 variantes clínicas do TOA, o tipo folicular (73%) que apresenta lesão central associada com dente impactado e que geralmente é diagnosticado a partir de cistos dentígeros ou cistos foliculares; o tipo extrafolicular (24%) que apresenta lesão central sem conexão a dentes, usualmente apresenta-se como unilocular e radiolucência bem definida acima ou sobreposta as raízes de dentes erupcionados e, por vezes, semelhante a globulomaxilar residual ou cisto periodontal lateral. O tipo periférico, por sua vez (3%), geralmente apresenta-se como um inchaço gengival, localizado palatinamente ou lingualmente relacionado ao dente envolvido3,10. Clinicamente, esta neoplasia possui crescimento lento e é frequentemente assintomática e descoberta acidentalmente em exames radiográficos de rotina ou em investigação de um dente que não fez erupção, geralmente um canino. Entretanto, podem causar expansão da cortical óssea e movimentação dos dentes adjacentes1,4. Os achados radiográficos deste tumor são amplamente variados, podendo simular cisto dentígero, cisto periapical, ameloblastomas, cisto odontogênico calcificante, entre outros. A variante folicular mostra lesão radioluscente, unilocular e bem delimitada,
enquanto que a extrafolicular exibe lesão localizada acima ou sobreposta às raízes de dentes irrompidos4.

Histologicamente, esta neoplasia apresenta em algumas áreas, células basofílicas com núcleo alongado ou fusiforme, formando nódulos espiralados. Em outras, as células podem ser claras e polarizadas, por vezes esboçando estruturas tipo ductais. Essas estruturas podem conter centralmente material homogêneo eosinofílico. Calcificações esféricas aparecem ocasionalmente, sendo interpretadas como esmalte abortivo, podendo conferir certo grau de opacificidade
na radiografia4. Considerando que o tumor é encapsulado, o tratamento de escolha é apenas ressecção cirúrgica,
sendo facilmente enucleado do osso. Em casos favoráveis, a marsupialização das lesões de tumor odontogênico
adenomatoide conferem caráter conservador ao tratamento e permitem a posterior erupção do elemento dentário 2,3,4,5,9.

 

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